Um minuto de parvoíce
Que nós somos um animal de hábitos, julgo que ninguém terá dúvidas. Que nós somos pouco mais que macacos e que, como eles nos imitamos uns aos outros sem saber bem porquê, também não tenho grandes dúvidas mas para quem ainda as tenha falo-vos dos últimos "minuto de silêncio" a que assistimos publicamente em Portugal.
Um minuto de silêncio é um minuto de silêncio. Silêncio, sem ruído. Em memória de alguém. Porque é isso que torna este gesto, "inventado" pelos Portugueses há já muitos anos (tenho tanta pena de me esquecer sempre da bibliografia donde eu aprendo estas coisas...) tão especial. É difícil fazer silêncio. Principalmente quando está tanta gente junta.
As poucas excepções onde se admite ouvir palmas num momento destes é quando a pessoa em causa foi particularmente querida para quem o aplaude. Quando a pessoa em causa os presenteou e honrou com momentos ou gestos para eles dirigidos e por eles sentidos duma forma particularmente fraterna. Por isso se ouviram palmas no funeral de Amália Rodrigues, por exemplo.
No futebol, a primeira excepção que me lembro de ver foi JUSTÍSSIMA!!! Até porque surgiu expontaneamente. Fui quando faleceu Vitor Damas, o mítico guarda-redes sportinguista. Aquele estádio cheio, estando todo em silêncio e de pé, não sabia o que mais fazer para homenagear aquele grande Homem, símbolo do clube dos seus corações, e que tantas noites de glória lhe ofereceu. Então, quando surgiu a sua imagem nos écrans gigantes todos os presentes explodiram numa sonora salva de palmas que me comoveu até às entranhas.
Mas há uns dias vi o Estádio do Dragão aplaudir durante um minuto o ex-presidente do Belenenses recentemente falecido. Aposto que metade daquelas pessoas não sabe, como eu não sei, dizer de cor o nome do senhor. Ele que me perdoe e descanse em paz mas julgo que não faz sentido.
Serve isto para dizer que me arrepiei ontem em pleno Estádio da Luz com o minuto de silêncio feito em memória do pai de Camacho. Passados uns segundos, os poucos símios que começaram por bater palmas lá se calaram e o minuto de silêncio foi efectivamente cumprido com toda a imponência e seriedade que ele merece.
Aquilo é assim que deve ser. É esmagador no meio de tanta gente sentir-se o silêncio quase absoluto. Uma coisa efectivamente física que nos esmaga o peito. É brutal.
Tenho a certeza que Camacho apreciou mais um minuto assim que um minuto de palmas Pavlovianas.

8 comentários:
Excelente.
agora com o tratado da lingua la com o brasil e tal passa a ser "exelente" né?
sucks ass
Nem mais!
Estive também em Alvalade quando se bateu um minuto de palmas em memória de Vitor Damas e nesse dia, o minuto de silêncio passado a aplaudir fez todo o sentido. Depois disso nunca mais, mas o povo insiste!
Assino por baixo. Ridicula esta nova "moda"
Foi realmente esmagador...
Foi realmente esmagador...
Convem não sustentar a tese, que considero correctíssima, com argumentos falaciosos que apenas pretendem atingir os adversários. Estive presente no Estádio do Dragão aquando do embate com o Gil Vicente para a Taça de Portugal (sabia a que jogo se referia?) em que se cumpriu o minuto de silêncio em memória do Eng. Cabral Ferreira.
O silêncio foi cumprido pela esmagadora maioria das 12.000 pessoas que ali se encontravam num dia de temporal. As excepções são lamentáveis mas comuns aos campos de Norte a Sul: energúmenos membros de claques que por não conhecerem o respeito não o podem aplicar em qualquer situação, nesta como noutras.
Os aplausos que ouviu (já que não houve transmissão televisiva) ecoaram no final do dito minuto em ritual que se estende a outros ambientes e que funde a descompressão depois de um solene momento e início de festa desportiva em que se apoia o "nosso" emblema.
Gordo sim, gordas mentiras, não obrigado!
João Pedro, julgo ser facilmente perceptível através da leitura do meu post, que eu não pretendia insinuar que este comportamento absurdo era um exclusivo dos adeptos do Porto ou mesmo que os adeptos do Benfica é que sabem comportar-se.
Tanto que dei o exemplo dos adeptos Sportinguistas e falei dos adeptos Benfiquistas que também bateram palmas.
A menção aos adeptos Portistas foi só um exemplo. Nada mais que isso. O exemplo que me fez escrever este post. Não vamos dar a essa menção mais importancia do que a que ela merece. Eu não vou, pelo menos.
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