Sei que já todos os blogues do mundo devem ter escrito quase tudo o que havia a escrever sobre o jogo SportingxBarcelona mas eu vou dizer algo que mais nenhum disse.
Lembram-se de eu vos ter dito que o motivo para eu ir ver esse jogo, foi a vinda do meu querido Avô a Lisboa? Pois bem, decidi levá-lo a ver o seu Sporting, juntamente com o meu irmão também sportinguista (embora isso agora não seja relevante), a um jogo supostamente grande e, dadas as circunstâncias, previsivelmente calmo no que a confusões diz respeito.
Quanto a isso, não me enganei. Onde me enganei redondamente foi quando julguei que depois do Euro´2004, pelo menos nos Estádios que fizeram parte desse Campeonato, algo tivesse mudado para sempre na forma de se ver futebol em Portugal. Cheguei a pensar que tivéssemos, de alguma forma, dado um passo gigante em frente e de repente se pudesse ter a ilusão dum país civilizado pelo menos durante 90 minutos e dentro daquelas paredes, onde todas as condições (supostamente) são dadas aos adeptos para poderem assistir aos jogos sem a chuva na cabeça, o guarda-chuva do vizinho da frente encostado ao nariz, o rabo frio por estar sentado na pedra, etc etc etc.
O meu Avô tem 82 anos. Lembra-se de ir ver jogos à "estância de madeiras", dos Cinco Violinos, de... o que estou eu para aqui a dizer?... o meu Avô tem quase a idade do Sporting Clube de Portugal propriamente dito!!! Aquele Clube tinha pouco mais de vinte anos quando ele nasceu, que raio!!! Como é possível que quando tivéssemos chegado ao Estádio, tendo um bilhete para o anel de cima, tenham obrigado o meu Avô a subir aquela escadaria toda até lá acima???
Quando me abeirei da senhora com o coletinho fluorescente e lhe perguntei onde me poderia dirigir com o meu Avô para subirmos até aos nossos lugares de elevador, esqueci-me que os Estádios novos continuam a ser geridos pelas mesmas pessoas que cá estavam antes. Sabem o que ela me respondeu?
"Tem um papelinho a comprovar que ele não pode subir escadas?" Não estou a gozar. O meu irmão ainda lhe perguntou, e muito bem, se o Bilhete de Identidade não chegava, mas ela disse que as regras são aquelas e que não podia fazer nada. E nada fez.
Nunca me apeteceu tanto ter tirado o curso de medicina e escrever ali diante dela, no verso do Bilhete de Jogo uma "declaração médica" que provasse para os devidos efeitos que aquele senhor não podia subir qualquer tipo de escada em geral e escadas de Estádios de Futebol revestidos de azulejo em particular. E depois esfregar-lhe aquilo muito lentamente na testa enquanto ela nos guiava até ao elevador mais próximo.
O que leva um Clube (e eu sei que isto se podia ter passado noutro Estádio qualquer!!!) a criar este tipo de regras? E, mesmo existindo essas regras, quão grande tem que ser a estupidez das pessoas para não perceberem quando e como as regras são para ser quebradas? Estamos a perder essa que era uma das grandes (e cada vez mais raras) qualidades dos portugueses!
Como se isto não bastasse no que diz respeito ao capítulo da falta do dito pelo adepto, o meu querido Avô ainda teve que assistir àquele que terá sido o jogo-mais-estranho-e-com-os-golos-mais-estapafúrdios-e-suicidas que eu já vi na minha vida. Começando o cardápio por um, o único mais a atirar para o normal, do fabuloso Messi que é um jogador de tal ordem que fez o meu Avô, ainda assim, achar que valeu a pena ter lá ido.
Obrigado ó Futebol que ainda tens estes mágicos por aí à solta para nos salvar destas tristezas. Desculpa Avô, tu não merecias ter passado por aquilo.