19 março 2013

A Entrevista Pela Qual Todos Esperavam

Repórter Gordo (RG) - Muito boa tarde Sr. Presidente.

Godinho Lopes (GL) - Boa tarde.

RG - Reparou que o tratei por Sr. Presidente?

GL - ...

RG - Era só uma forma de expressão, não me leve a mal.

GL - Não tem importância.


RG - Agora que está prestes a abandonar em definitivo o Sporting Clube de Portugal, qual acha que será o legado por si deixado enquanto Presidente do clube?


GL - Bom, eu julgo que a minha passagem pelo Sporting foi sempre pautada pela maior transparência e seriedade e que o balanço é francamente positivo.

RG - (risos) Não, a sério, como acha que os sportinguistas o recordarão, Sr. Ex-mais-ou-menos-Presidente?

GL - Repare, eu fiz coisas incríveis enquanto Presidente deste clube. 

RG - Quanto a isso, não temos dúvidas

GL - Algumas inéditas e todas impensáveis antes do meu mandato.

RG - Tais como?

GL - ...

RG - ...?

GL - Nunca antes o Sporting havia lutado pela permanência. Isto só para dar um exemplo muito concreto. 

RG - Bom... suponho que tenha razão também quanto a isso.

GL -  Ah... e não vendemos o Izmailov ao Benfica! Parecendo que não, isto foi uma coisa muito importante. As pessoas às vezes esquecem-se... eu não andei aqui a brincar!

RG - Mas cof cof pareceu cof cof

GL -  Desculpe?

RG - Está desculpado, ora essa. Falemos agora de Treinadores. O seu mandato ficou marcado pela constante mudança de Treinadores da equipa principal de futebol. Consegue-nos dizer qual foi o seu preferido?

GL -  Isso é difícil... é como perguntar-nos qual o livro da nossa vida, ou o filme. Gostei de todos, cada um à sua maneira. Todos me marcaram duma forma ou de outra.

RG - Algum há-de ter sido especial...

GL - Bom... gostei muito daquele rapazinho que veio do Porto

RG - O Domingos?

GL - Não, o Sá Pinto.

RG - E não acha que...

GL - Ah, e também simpatizei muito com aquele outro moço, como é que ele se chamava, aquele com ar de carocho

RG - O Vercauteren

GL - Quem?

RG - O Franky Vercauteren.

GL - Não estou a ver...

RG - Aquele holandês

GL - O puto que falha golos e simula pívias?

RG - Não, o treinador!

GL - Não sei. Olhe, esqueça, acho estava de novo a pensar no Sá Pinto.... uma pessoa às tantas baralha-se.

RG - Compreendo.

GL - Isto faz-me lembrar... (risos)... quer que lhe conte uma coisa engraçada?

RG - Por favor

GL - Sabe porque fomos buscar o Jesualdo Ferreira?

RG - Por ser um treinador português com experiência e títulos ganhos no Campeonato Nacional?  

GL - Nada disso. Quem eu queria mesmo era o Jesus mas quando me disseram que não dava, lembrei-me do Jesualdo porque o nome tinha as primeiras letras iguais.... (risos alarves)

RG - Bom... isso, no mínimo, foi pouco profissional.

GL - Ai que não me aguento... (limpa as lágrimas de riso com um lenço branco). Aquilo foi um fartote, o Eduardo Barroso até se engasgou com o charuto. 

RG - Está portanto a dizer-me que escolheu um treinador com base nas quatro primeiras letras do nome?

GL -  E depois? É um critério tão válido como qualquer outro.... aliás, por essa altura já tinhamos de facto esgotado todos os outros critérios de escolha.

RG - Certo. E quanto ao resto, guarda alguma mágoa? Há algum objectivo cujo facto de não o ter conseguido colocar em prática o deixe particularmente triste?

GL -  Sim. Tenho muita pena de não ter conseguido contratar o Marius Niculae. Muita pena.

RG - ...

GL -  Bom, não veio para o Sporting mas pelo menos também não foi para o Benfica (risos alarves).

RG - Isso roça a obcessão.

GL -  O quê, pelo Niculae? Sim, roça um bocadinho... mas escusa de publicar esta parte.

RG - Não, falava do Benfica.

GL -  Ah... também. Mas não tanto. Seja como for os sportinguistas podem estar descansados porque deixo tudo preparado para colmatar rapidamente o falhanço dessas negociações.

RG - Como assim.

GL - Eu não gostava de adiantar muito mais...

RG - Sr. Presidente, é a sua última entrevista. Se não for agora...

GL - Bom, digo apenas que está tudo praticamente acertado para o regresso grandioso de não uma mas DUAS outras glórias do Sporting. 

RG - Nomes?

GL - Eu não devia... 

Por favor

GL - Cadete. 

Cadete? Está a falar a sério?

GL - Quase certo. 

E o outro?

GL - Bem, o outro ainda falta limar umas arestas porque só temos o número do telefone fixo mas já conseguimos falar uma vez com a esposa que se mostrou agradada com a ideia. É o Paulinho Cascavel.

Estou sem palavras.

GL - Do caraças, não é?

Sr. Presidente, talvez seja melhor ficarmos por aqui 

GL - Já? Fique mais um bocadinho que enquanto me entrevista não entrevista o Luis Filipe Vieira!


Mas acabámos por vir mesmo embora porque tínhamos umas coisas para fazer.





  






10 comentários:

Manuel disse...

LOL!

Eu acho que deviam enviar isso para o Gato Fedorento! Está demais!

Germano Bettencourt disse...

A entrevista da época. Sem dúvida.

Mg disse...

Muito bom, principalmente na parte do "porque só temos o número do telefone fixo"!!

B. disse...

Ahahahahahah que bom!!

o sá viola disse...

ahahahahhahahaha

Vozes Encarnadas disse...

BRILHANTE LINDO

O que me ri, alias ainda me estou a rir.

Parabéns.

king disse...

Deviam fazer-se mais entrevistas assim. :D

Viriato de Viseu disse...

Excelente.
Parece que o estou a ouvir, com aquela voz grossa de garrafão!!!

POC disse...

:)

João Mendes disse...

para ajudar

http://www.publico.pt/desporto/noticia/sporting-vende-wolfswinkel-ao-norwich-1588541