10 janeiro 2014

SILÊNCIO que o Eusébio morreu.

1. Pantera Negra

Ainda não percebi qual foi o momento exacto em que o Eusébio deixou de ser “o Pantera Negra” e passou a ser “o King”. 


Há muito que sabia que o Rui Costa, o Figo e o Nuno Gomes o tratavam assim portanto, não foi uma coisa de agora, saída de um jornalista estagiário qualquer, mas... eu prefiro “Pantera Negra”. Sempre foi “Pantera Negra” para mim. Será que foi mais uma obra dos anos 90 com os seus “politicamente correctos” implacáveis?


Se foi isso, é estúpido porque Ele próprio (reparem na maiúscula), numa das suas melhores declarações de sempre, comentou que era uma estupidez os jogadores sentirem-se ofendidos e chorarem  por serem chamados de “pretos” porque... eles são pretos de facto e não deveriam sentir outra coisa senão orgulho.


2. O Benfica deve grande parte da sua grandeza ao Eusébio


É hábito dizer-se que “o Benfica está acima de tudo e de todos” mas ao ouvir as declarações (sempre inteligentes e ponderadas) de Bagão Felix ficamos a perceber como não é bem assim quando nos estamos a referir a Eusébio da Silva Ferreira. 


Quando o Eusébio chegou ao Benfica o  clube tinha apenas 56 anos de história. 56 aninhos.Nós achamos que a cena do Cosme Damião mais os amigos com aqueles bigodes todos, aconteceu há 500 anos atrás mas não foi assim há tanto tempo. E quando o Eusébio chegou, embora o Benfica fosse já um clube grande, não era ainda um clube grandioso.


Esse título ganhou-o nas décadas seguintes, senão totalmente pelo menos parcialmente às costas do Pantera Negra. Pensemos nisso.


3. À boleia do RAP


Delicioso e comovente o testemunho de Ricardo Araújo Pereira.


4. Às 3 tabelas


Num dos 659.371 directos que as televisões fizeram, entrevistaram um senhor duma Casa do Benfica (acho que foram a todas) que estava atrás do balcão. Como o senhor se estava a esquecer, a entrevistadora - que certamente achou que o tema era da maior relevância - pediu ao senhor para nos falar da “mesa de snooker” e então tivemos o privilégio de ficar a saber que “foi o Ósébio que deu a primeira tacada da primeira mesa de snooker desta casa. Não é esta aqui, era outra que entretanto se estragou. Mas eu ainda tenho esse pano dobradinho lá em casa..”. 


Eh pá, eu uma vez fiz um jogão contra o Benfica só por ter reparado que o Eusébio estava junto à linha lateral a assistir mas... isto não interessa a mais ninguém senão a mim. Que cada um fique com as suas pérolas.


5. O Madiba da Mafalala


Ouvi por estes dias várias pessoas a compararem o Eusébio ao Mandela e ri-me com gosto de todas as vezes. É ridículo. São vidas diferentes, com contextos diferentes e objectivos diferentes e por isso mesmo, são ambos símbolos de lutas distintas.


O facto de ambos terem sido negros que venceram na vida e que tiveram um funeral à grande emitido em directo pelas televisões lamento mas não chega para justificar a comparação. Nesse caso também seria legítimo afirmar que o Eusébio foi o nosso Michael Jackson. Não me parece.


6. O Mário Soares


As suas declarações falam por si e nem merecem ser comentadas. No entanto, é bom sublinhar que elas dizem muito mais sobre Soares que sobre o Eusébio.


São palavras azedas, dum preconceito monstruoso e que revelam uma falta de sensibilidade que, embora não me espante minimamente, não deveriam ser proferidas por um ex-Presidente da República. 


Sejamos francos, por muitas milhas que o Bochechas tenha feito à conta dos portugueses, por muita tartaruga-das-seychelles que ele tenha esmagado, o Eusébio levou o nosso nome mais longe a miar gente e, sobretudo, duma forma mais digna.


Mário Soares não tinha que adorar Eusébio, podia até odiá-lo. Não seria necessário inventar-lhe qualidades no momento da sua morte, não tinha que socorrer-se de qualquer discurso hipócrita... bastava não dizer nada.


Eu acho que foi tudo inveja porque ele nem o Largo do Rato vai encher quando for desta para a melhor.


Pergunto-me se nesse dia alguém dirá para um microfone qualquer parte das nojices que eu já ouvi dizer - sim porque se ele ouviu dizer que o Eusébio bebia eu também já ouvi algumas coisas sobre a família Soares.


6 comentários:

pitons na boca disse...

1. Penso que o "King" começou a ser utilizado na segunda metade da década de 60. Em 1968 a marca Puma criou as botas "King" num tributo ao Pantera Negra, melhor marcador europeu nesse ano com 42 golos. Tenho ideia que chegaram mesmo a contratar Eusébio para fazer publicidade às mesmas, quando o regime afrouxou um bocadinho com o desaparecimento do Salazar.

2. Sem dúvida.

3. Como quase sempre.

4. Pérolas que ninguém compreende, muitas das belas merdas que andam pela comunicação social dos dias de hoje.

O resto ainda não li.

LDP disse...

1. Alto lá, Médio. A alcunha de King foi-lhe dada em 68 quando ganhou a Bota de Ouro usando, precisamente, umas Puma King.

2. Nem mais.

3. Pois.

4. Havia que aproveitar tudo ou tantos jornalistas deste país iriam continuar a receber sem fazerem nada.

5. O Michael Jackson não era preto. Mas o Mr. T sim.

6. Eu até curtia o gajo...quando tinha 12 anos. "Soares é fixe!" lembro-me ainda.

heterosapiens disse...

1. Está explicado.
2. true true
3. RAP, MEC,... os melhores foram escolhidos!
4. Clássico encher chouriços na TV.
5. Só tinha visto o Mozer fazê-lo, e tinha assobiado pó lado.
6. Este porco traficante de diamantes e marfim, que abandonou os conterrâneos e até roubou alguns, e que nós sustentaremos como um lord até o feliz dia que morre... pois, um merdas.

PS: uniformiza lá o tipo de letra que isto até magoa a vista...

Tiago Stuve Figueiredo disse...

Gostei muito deste seu post e devo lhe dizer que sou portista.

Só discordo de parte do ponto 6.

Se as pessoas não optarem pelo politicamente correcto, enchem mesmo o largo do Rato. Mas não é por estarem tristes, se é que me entende.

Cumprimentos

Tiago Stuve

http://opequeestamaisamao.blogspot.pt

Manuel disse...

Sou do Sporting, mas tenho de ensinar alguma história a lamps. :P

O benfica já era grande (merda, tenho de dizer alguma coisa de mal) antes do Eusébio, já tinha ganho uma taça dos campeões europeus. Coluna já tinha capitaneado a equipa a uma vitória europeia.

Germano Bettencourt disse...

O Benfica já era grande antes de nascer.

Quando Deus criou o universo, fê-lo com um propósito. Demorou, mas o Benfica nasceu.

Abraço